Não é caridade, é consequência

Quando a Ô Bicha começou, era só uma vontade de estampar piada gay em camiseta e ver se alguém ria junto. Não tinha plano de negócio, não tinha planilha — tinha vontade.

Só que ser marca LGBT no Brasil não é só sobre imprimir arte engraçada. É sobre existir num lugar que nem sempre quer que a gente exista. E aí a responsabilidade vem de brinde, quer você tenha pedido ou não.

Foi por isso que parte de cada venda feita pela Uma Penca vai direto pro Instituto Amargen — uma organização lá de Juiz de Fora (MG) que há 14 anos trabalha pra tirar gente da margem, no sentido literal da palavra: oficina, educação, esporte, empreendedorismo social, pra quem a vida já tentou empurrar pro canto mais de uma vez. Não é estratégia de marketing, é o mínimo que dá pra fazer quando a gente entende que orgulho sem comunidade é só festa vazia.

E foi esse mesmo lugar — o de cuidar de quem tá do seu lado — que me fez criar o Respira.

O Respira nasceu de um motivo bem pessoal: eu larguei o cigarro e precisava de alguma coisa que me ajudasse a atravessar a vontade sem enlouquecer. Mas quando o app ficou pronto, ficou claro que não fazia sentido guardar isso só pra mim. Se a Ô Bicha existe pra cuidar da comunidade lá fora, o Respira é a mesma lógica aplicada pra dentro — cuidar de quem tá tentando se cuidar.

Não tem coincidência nenhuma nisso. A mesma vontade que fez a marca apoiar o Instituto Amargen foi a que fez o Respira sair da minha cabeça e virar app de verdade. Cuidar — e cuidar de quem tá perto — sempre foi o ponto.

BORA RESPIRAR.